História da Igreja do Carmo


O Primeiro Vigário.

       O Primeiro Vigário que obtver a paróquia de Mogi das Cruzes chamava-se Gaspar Sanches, homem bom, santo varão, mas de idade avançada.
       Deram-lhe, como Matriz, a capela de Sant´Ana, situada na fazenda de Gaspar Vaz
 ; para construção de casas com horta e para abertura de ruas foram-lhe dados, afora a sesmaria (uma legua) para sua manutenção, terrenos localizados atrás da atual igreja de Sant´Ana.
     Zeloso como era pelo bem das almas sabia caprichar também em que as festas religiosas decorreseem com a máxima solenidade.Assim sendo, pediu à Camara que abrisse uma rua pelos seus terrenos dos fundos, por causa das "Procissões".
     Feito isso, começou Mogi a ter o aspecto de pequena cidade, com ruas longitudinais e transversais.As atuais ruas José Bonifácio, Paulo Frontin, Flaviano de Melo, Cel. Souza franco, ricardo Vilela, Padre João e Manoel caetano são as primeiras existentes na primitiva Vila de santa Anna das Cruzes de Mogy Mirim.
     Não só zelada o bom vigário Gaspar Sanches, cooperando com o "Fundador" e os oficiais da Camara, pelo progresso da Vila, mas também e principalmente isto, cuidava, com desvelo, do interesse espiritual do povo.Por isso, no fim da vida, providenciou a perpetuação do serviço religioso.Numa tarde do ano de 1.626, em uma visita ao "seu fundador" Gaspar Vaz, teve a idéia de manifestar seus pensamentos:
      - Olha, seu Gaspar, se nós mandassemos vir para Mogi aqueles Padres do Carmo, lá de São Paulo, que pensario o amigo? Não seria bom? Não estaria melhor garantido o culto religioso para esta Vila? Para a roça não seria mau, pois eles poderiam servir muitos que ora estão longe da igreja... e poderiam também, me ajuda pois já estou ficando velho.Não se lembra como; o ano passado, quase cai de cansaço, por ocasião das festas de Sant´Ana?
      - Isso seria uma idéia esplendida, respondeu Gaspar Vaz. O Vigário tem quase o mesmo pensamento que eu.Mas... será que os frades vêm para cá, para este canto do mundo?
      - Ah! Naturalmente precisam de garantias para fazer uma casa permanente, e de algum patrimonio para o seu sustento.
      - É claro, Padre Vigário, mas como havemos de arranjar isso?
      - "Seu fundador", o Sr. sabe que eu não cobiço nada neste mundo e que sou capaz de deixar tudo que tenho para eles, se o senhor providencia o local onde se hão de estabelecer; não deve ser tão longe para que, com facilidade, me possam ajudar.
      - Pois é, seu Vigário, o Sr. fala com os Padres do Carmo e eu vou falar com minha gente, meus filhos e genros: o Sr. Preto é muito bom homem e sua mulher, minha filha Catarina, é devotissima de nossa Senhora do Carmo.
      Esta Conversa era o início do Carmo em Mogi.Assim, o Padre Vigário pediu, de acordo com " O Fundador" e os " Camaristas" da época de 1.626, os quais também manifestou os seus planos, a vinda definitiva dos Padres Do Carmo, aqueles mesmos que, já desde 1.603, de vez em quando, faziam o serviço religioso de assistência em Mogi (tomavam, então, os Padres do carmo conta da Paróquia de São Paulo - 1.598 - 1.613).Entendeu-se o Vigário, provisoriamente, com o Padre Frei Manoel Pereira que aceitou, mas, para dar respostas definitiva, devia o Vigário primeiro entender-se com o superior, quando da visita canonica deste aos Carmelitas de São Paulo, explicando-lhe seus planos e pondo-o a par de seus auxilio.O Revmo Padre Frei João da Cruz aceitou a oferta.Ia providenciar do Superior Maior e do governo as licenças para a fundação destas se acha guardado um documento no Carmo.Todo o patrimonio pessoal do Vigário, bens moveis e de raiz, seria dado ao Carmo, e, para tal, formulou ele a escritura, feita pelo tabelião Jeronimo Rodrigues, como testemunha, o "Fundador" Gaspar Vaz com mais dois homens de grande influencia na Vila, o Sr. Antonio Mendes de Matos e Antonio Agostim: primeiro, moço de uns 34 anos, e morava há 2 anos em Mogi, Juiz ordinario; ó segundo o fundadro da Vila.Fazia o Vigário esta doação ao Carmo "por devoção que tem à Virgem Nossa Senhora do Carmo, e pelo desejo que tem de lhe fazer serviços, e de ver esta Vila aumentada, acrescentada com Frades".
     Condição era, que, " não se fazendo o dito Convento, não lhe dotava nada, e fazendo-se o Convento, como espera em Deus se faça, então, a dita doação por boa deste dia para todo sempre, a qual se entenderá do dia de sua morte por diante... os quais (os Frades) serão obrigados a cumprir os seus legados e a pagar suas dívidas se as tiver".
      Assim foi aceito.Vieram os Padres do carmo para se estabelcer em Mogi.
      Vividos os seus últimos anos e dias, o Padre Vigário Gaspar Sanches agora descança na igreja de Nossa Senhora do Carmo, conforme consta de uma certidão que, em 22 de Abril de 1.645, passou o Prior de São Paulo, Frei Domingos da Luz, em favor do Mosteiro de São Bento o qual a usou em embargos que apresentou contra Manoel Pires (arquivo do Mosteiro de São Bento, em São Paulo).Lá se lê: "E juntamente sei que o Padre Gaspar Sanches deixou ao nosso Convento de Mogi, todas as posses que tinha do gentio da terra, para que no dito Convento lhe dessemos sepultura e os religiosos lhe disserem missas por sua alma".
      E Mogi vai-se desenvolvendo como a assistencia daqueles que ele chamou para assegurar o serviço religioso.Ele ora a Deus para lhe dar proteção e bençãos do céus; impetra a Deus paz e harmonia entre todos os cidadão e famílias, como fundamento para a felicidade neste mundo e preambulo e garantia da vida espiritual, que lhes deve alcançar a felicidade eterna, pela observancia das Leis de Deus.

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